1ª FASE DE CONSTRUÇÃO - CURTA OU LONGA?
- Vitor Escudeiro
- 5 de mar.
- 2 min de leitura

Nos últimos anos têm-se criado o mito de que uma equipa que pratica bom futebol é aquela que na esmagadora maioria das vezes sai a jogar a partir do guarda-redes, sendo que as equipas que não o fazem são por vezes criticadas.
Esta tendência, na minha opinião é um erro clássico que a maioria dos treinadores comete, ou seja, o seguir tendências/modas, como se tudo na vida e no futebol em particular, fosse guiado por verdades absolutas.
Não tenho conhecimento de nenhuma estatística, que permita chegar à conclusão de que as equipas estão a conseguir chegar mais vezes ao golo a partir da construção pelo guarda-redes, portanto resta-me a minha perceção (que admito que possa estar errada) mas que entendo que de uma forma geral as equipas tendem a sofrer mais golos (porque perdem a bola em zonas muito perto da sua baliza e como os jogadores estão muito afastados entre si, não conseguem reagir a tempo à perda de bola), do que a marcar.
Enquanto amante da modalidade é lógico que gosto de assistir a um jogo onde uma ou ambas as equipas saem a jogar a partir do seu guarda-redes, isto porque, na minha opinião, torna o jogo muito mais atrativo, aumentando claramente o espetáculo. No entanto, quando assumo o papel de treinador já não posso pensar assim.
No meu Modelo de Jogo está contemplado sair a jogar curto pelo guarda-redes, no entanto, também preconizo o sair a jogar de uma forma mais direta, isto porque defendo que tenho que induzir nos meus jogadores a capacidade de se adaptarem, mediante as condicionantes do jogo, de forma a poder potenciá-los enquanto indivíduos e enquanto equipa, não através de uma forma de jogar, mas através do entendimento do jogo. Assim durante a época quando pretendo treinar a 1ª fase de construção treino sempre as duas possibilidades, mediante o adversário que terei pela frente e as condicionantes que poderei enfrentar.
Quais são então as condicionantes que eu preconizo para as minhas equipas saírem a jogar longo?
- Qualidade do adversário - quando superior;
- Condições meteorológicas – chuva intensa que não permite a bola rolar normalmente;
- Dimensões do campo – sendo que o espaço é fundamental para se poder sair a jogar a partir do guarda-redes, nos campos com dimensões reduzidas torna-se difícil encontrar esse espaço;
- Qualidade dos nossos jogadores – qualidade do passe/receção, colocação dos apoios/orientação espacial, cabeça levantada, perceção do posicionamento adversário;
- Tipo de piso – sobretudo no distrital onde ainda existem alguns campos pelados onde o piso não está nivelado ou acaba por desnivelar com o decorrer do jogo;
- Resultado – se estiver a ganhar por 1 golo nos últimos minutos do jogo;
- Inferioridade numérica – sobretudo se a equipa adversária aplicar uma marcação HvsH;
Acima de tudo, na minha opinião, os treinadores devem ter sempre em conta as duas opções e sobretudo treiná-las, para que possam aplicar mediante o que cada jogo (ou momentos do jogo) exige.
A melhor equipa é aquela que tem uma ideia bem definida (identidade), mas que se adapta em cada momento do jogo mediante as condicionantes que tem pela frente.
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