
Em Portugal, há uma tradição que teima em não se perder, que é quando as crianças/jovens têm más notas, uma das primeiras medidas dos pais é as retirarem do desporto que praticam.
No entanto, estudos efetuados, tendem a contrariar essa ideia, enraizada na nossa sociedade.
A prática desportiva regular tem vários benefícios para o nosso corpo, nomeadamente o cérebro.
Estudos indicam que crianças e jovens que praticam uma atividade desportiva, tendem a atingir bons resultados académicos.
Isto acontece porque, segundo o Professor Luís Sardinha da Faculdade de Motricidade Humana: "o exercício promove a formação de novos neurónios e uma maior interação entre neurónios, que, por sua vez, promovem maior sensibilidade e desenvolvimento cognitivo" (2012).
Outro beneficio da prática de uma atividade desportiva tem haver com a libertação de determinadas hormonas, nomeadamente: serotonina, que torna as pessoas mais positivas; endorfina que é benéfica contra os estados de stress; e a dopamina que tem um papel crítico na capacidade do foco e atenção.
As hormonas mencionadas em cima, são fundamentais para as crianças/jovens poderem estar mais tranquilas e confiantes na altura das avaliações.
Enquanto treinador, nomeadamente quando estou responsável por equipas de idades de escalões de formação, sempre transmito aos meus atletas que o futebol não é e não pode ser a sua prioridade. Família e escola devem estar no topo das prioridades (por esta ordem) e só depois é que vem o futebol.
Também lhes tento explicar que o futebol deve vir em terceiro lugar na ordem de prioridades porque é um desporto de equipa. Sendo um jogo de equipa, significa que todos são importantes. Para além da sua importância, no inicio de cada época, os jogadores (e neste caso os encarregados de educação), assumem um compromisso para com a equipa. Cada ato/ação de cada jogador, tem influência dentro do grupo.
Tendo em conta o que mencionei em cima, na minha opinião, retirar as crianças/jovens das suas atividades desportivas é errado. Penso que os encarregados de educação juntamente com os responsáveis do clube ou os Treinadores, poderão chegar a um consenso de modo a não prejudicar os estudos e a prática desportiva. Por exemplo: reduzir o número de treinos por semana (em vez de treinar 3/4 vezes, treinar apenas 2 vezes); faltar aos treinos no(s) dia(s) que antecedem os testes ou apresentações de trabalhos; ou faltar apenas quando houver necessidade para estudar...
Relativamente ao ato de estudar, existem inúmeras sugestões de estratégias que as crianças/jovens podem adotar para melhorar o seu rendimento escolar. Caberá a cada uma, com a ajuda dos encarregados de educação, tentar descobrir quais as estratégias que melhor se adaptam a si.
Desistir dos treinos, para além de eventualmente estar a prejudicar-se a si próprio, está também a prejudicar uma equipa que tinha sido criada a contar com ele.
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